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Mujer haciendo senderismo

Nutrição diária e bem-estar

A menopausa para além dos afrontamentos: os sinais silenciosos que afetam o coração

Rute Borrego, nutricionista e Consultora Nutricional da Herbalife Portugal; Florencia Braga, nutricionista e Diretora Sénior de Assuntos Científicos para a região EMEA na Herbalife.

Os afrontamentos, os suores noturnos e as alterações do sono são alguns dos sintomas mais conhecidos da menopausa. No entanto, durante esta transição podem também ocorrer mudanças menos visíveis que merecem atenção: aumenta a tendência para acumular gordura na região abdominal e podem registar-se alterações nos níveis de colesterol e noutros indicadores metabólicos relacionados com a saúde cardiovascular.

 

A propósito do Dia Mundial da Menopausa, Rute Borrego, nutricionista e Consultora Nutricional da Herbalife Portugal, e Florencia Braga, nutricionista e Diretora Sénior de Assuntos Científicos para a região EMEA na Herbalife, destacam a importância de cuidar do coração nesta fase e recordam que a adoção de hábitos saudáveis pode ajudar a reduzir os fatores de risco.

 

A evidência científica reforça a importância de prestar atenção à saúde cardiovascular durante a transição para a menopausa. Uma análise publicada em 2026 pela American Heart Association concluiu que as mulheres na perimenopausa tinham o dobro da probabilidade de apresentar uma pontuação baixa de saúde cardiovascular em comparação com as que ainda mantinham ciclos menstruais regulares. Além disso, um estudo longitudinal do projeto SWAN, que acompanhou mais de 3000 mulheres por um período de até 22 anos, observou que os afrontamentos e os suores noturnos frequentes estavam associados a um risco relativo 51 % superior de sofrer posteriormente um evento cardiovascular.

 

“A menopausa é uma fase de mudanças importantes na saúde e no bem-estar da mulher. Algumas são evidentes e podem causar desconforto, enquanto outras ocorrem de forma mais silenciosa”, explica Florencia Braga. “Compreender o que está a acontecer no organismo permite agir atempadamente e avaliar, em conjunto com um profissional de saúde, quais as medidas mais adequadas a cada caso”.

O risco cardiovascular que nem sempre se manifesta

“Durante a transição para a menopausa, os níveis de estrogénios diminuem e, com eles, parte do seu efeito protetor sobre o coração. Estas alterações hormonais podem favorecer a acumulação de gordura na região abdominal, alterar os níveis de colesterol e de triglicéridos e aumentar o risco de síndrome metabólica”, explica Florencia Braga. Estes fatores podem contribuir para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares a médio e longo prazo.

 

Um dos aspetos que merece especial atenção é a distribuição da gordura corporal. Algumas mulheres podem aumentar pouco de peso e, ainda assim, apresentar um aumento da gordura abdominal. A gordura visceral, localizada em torno dos órgãos internos, está associada a um maior risco cardiometabólico, incluindo resistência à insulina, hipertensão e alterações nos níveis de colesterol.

 

“Embora o excesso de peso e a obesidade possam aumentar o risco cardiovascular, também importa perceber onde se acumula a gordura. A gordura visceral representa um risco particular, pelo que é aconselhável avaliar a composição corporal e os indicadores metabólicos, sem olhar exclusivamente para os quilos”, explica Florencia Braga. Rute Borrego concorda que o peso, por si só, não define a saúde de uma mulher. O objetivo deve ser promover uma composição corporal saudável, preservar a massa muscular e manter os fatores de risco sob controlo, em vez de fazer da perda de peso a única prioridade.

 

Um estudo do projeto SWAN, que acompanhou mulheres na meia-idade, observou que a gordura visceral abdominal aumentava mais rapidamente no período em torno da última menstruação. Nas 362 mulheres analisadas, o aumento estimado foi de 8,2 % por ano nos dois anos anteriores à última menstruação e de 5,8 % por ano após esse momento. Os investigadores encontraram também uma associação entre o aumento desta gordura antes da última menstruação e uma maior espessura da parede da artéria carótida, um indicador de aterosclerose subclínica.

 

Por outro lado, estudos longitudinais observaram que os níveis de colesterol total e de colesterol LDL (conhecido como colesterol “mau”), tendem a aumentar sobretudo no período em torno da última menstruação. Estes resultados reforçam a importância de controlar os fatores de risco durante a transição para a menopausa, embora a evolução varie de mulher para mulher.

Dieta mediterrânica: uma aliada do coração e do controlo do colesterol

Os níveis de colesterol merecem especial atenção durante a menopausa. A diminuição dos estrogénios está associada a alterações no metabolismo dos lípidos e pode favorecer o aumento do colesterol LDL, conhecido como colesterol “mau” e um dos principais fatores de risco cardiovascular. Embora estas mudanças não afetem todas as mulheres da mesma forma, vigiar o perfil lipídico e adotar hábitos saudáveis ajuda a cuidar da saúde do coração nesta fase.

 

Não existe uma dieta específica para a menopausa que todas as mulheres devam seguir. As especialistas recomendam a adoção de um padrão alimentar mediterrânico, amplamente sustentado pela evidência científica na área da saúde cardiovascular, baseado em hortícolas, fruta, leguminosas, cereais integrais, frutos oleaginosos e azeite virgem extra, com peixe e outras fontes de proteína de qualidade.

 

“Mais do que procurar uma dieta especial para a menopausa, importa consolidar um padrão alimentar saudável e sustentável. A qualidade das gorduras é importante: dar prioridade ao azeite, aos frutos oleaginosos, às sementes e ao peixe gordo, e moderar o consumo de gorduras saturadas, pode ajudar a cuidar do perfil lipídico”, explica Rute Borrego.

 

Na prática, isto implica reduzir o consumo de carnes gordas e processadas, produtos de pastelaria e alguns laticínios ricos em gorduras saturadas, bem como evitar as gorduras trans de origem industrial. É também recomendável incluir alimentos que forneçam nutrientes benéficos para a saúde cardiovascular, como o peixe gordo, fonte dos ácidos gordos ómega-3 EPA e DHA, e a aveia, cujos betaglucanos (um tipo de fibra solúvel) contribuem para reduzir o colesterol no sangue.

 

A alimentação deve também suprir as necessidades de proteína, importante para preservar a massa e a função muscular, e fornecer cálcio e vitaminas D e K, relevantes para a manutenção de ossos normais. A ingestão adequada destes nutrientes assume especial importância durante a perimenopausa e a pós-menopausa, fases em que se deve prestar atenção tanto à manutenção dos ossos como à da musculatura.

 

O padrão mediterrânico vai, além disso, para lá da escolha dos alimentos. “A preparação das refeições e a sua partilha com familiares e amigos também fazem parte deste estilo de vida, pois favorecem os laços sociais e contribuem para o bem-estar emocional”, acrescenta Borrego.

Mais músculo e menos foco na balança

A atividade física é outro pilar da prevenção. As especialistas recomendam combinar exercício aeróbio, como caminhar a bom ritmo, nadar ou andar de bicicleta, com treino de força, para ajudar a manter a capacidade cardiorrespiratória, preservar a massa muscular e promover uma composição corporal saudável. A rotina deve ser adaptada à condição física e às capacidades de cada mulher, para que possa ser mantida a longo prazo. “O peso, por si só, não define a saúde de uma mulher. É importante prestar atenção à composição corporal, preservar a massa muscular e melhorar a saúde metabólica, em vez de fazer da perda de quilos o único objetivo”, salienta Rute Borrego.

 

A necessidade de reforçar estes hábitos está também patente na investigação. Uma declaração científica da American Heart Association, publicada em 2020, que reviu a evidência disponível sobre a transição para a menopausa, indicava que apenas 7,2 % das mulheres estudadas nesta fase cumpriam as recomendações de atividade física e menos de 20 % mantinham de forma consistente uma alimentação saudável. Embora estas percentagens provenham dos estudos analisados nesse documento e não devam ser interpretadas como estimativas atuais para todas as mulheres, ilustram a margem de melhoria na prevenção.

 

Embora muitas das alterações associadas à menopausa resultem de processos fisiológicos, é possível atuar sobre os fatores de risco modificáveis. Adotar uma alimentação mediterrânica, praticar exercício com regularidade, descansar adequadamente e manter o acompanhamento médico permite tomar decisões informadas sobre a saúde a longo prazo. “A menopausa não deve ser encarada como uma perda de controlo sobre a saúde, mas como uma oportunidade para investir no bem-estar físico, mental e emocional e num envelhecimento saudável”.

Sobre o Autor

Rute Borrego, nutricionista e Consultora Nutricional da Herbalife Portugal; Florencia Braga, nutricionista e Diretora Sénior de Assuntos Científicos para a região EMEA na Herbalife.